DICAS DE PROFISSIONAIS

Pelo fim da cultura das cesáreas

As cesáreas estão em discussão mais uma vez. Depois da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que criou o projeto Parto Adequado para incentivar o parto normal, o Conselho Federal de Medicina (CFM) acaba de apresentar uma nova resolução, que determina que o parto cesáreo só deverá ser realizado a partir de 39 semanas de gestação. Com a medida, ganhamos todos: maternidades, profissionais, mães e especialmente os recém-nascidos.

Para o CFM, trata-se de uma norma de caráter ético que busca assegurar a integridade do feto. A nova regra segue padrões internacionais, determinados pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG).

Estudos científicos recentes mostram que as crianças que nascem antes da gravidez completar 39 semanas apresentam maior número de intercorrências nas primeiras horas de vida, principalmente desconforto respiratório e hipotermia. Outros sintomas como, icterícia e dificuldade de deglutição, também são comuns e resultam na admissão do recém-nascido em uma Unidade Intensiva, privando mãe e filho do contato mútuo.

Neste contexto, obstetras, pediatras e neonatologistas têm trazido à tona a discussão sobre um problema grave e frequente em todo o mundo: a internação evitável do recém-nascido em Unidades de Terapia Intensiva. Esta situação implica em reflexos negativos que vão desde o risco de infecções hospitalares para os bebês até o aumento na incidência de depressão nos casais, além da elevação absurda no custo da internação para as operadoras de saúde.

Infelizmente, em nosso País, a banalização e a praticidade contribuíram para a chamada “cultura da cesárea”. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada em 2014, mostra que 50% dos partos do país são cesáreas, o que torna o Brasil recordista nessa prática. Trata-se, portanto, de uma epidemia de cesáreas.

Este enorme volume, principalmente na rede privada, fica ainda mais evidente nas vésperas dos feriados, quando as maternidades veem multiplicar o número de internações de gestantes fora do trabalho de parto.

É indiscutível que a futura mãe deve ter o direito de decidir pela via de parto que mais lhe agrade, mas esta opção deve estar bem embasada em informações médicas e não pode extrapolar os limites de segurança para a sua própria saúde e de seu filho. Para tal, o obstetra deve conversar com o casal durante o pré-natal, apontando os riscos e benefícios de ambas as formas de parto. Outro avanço da nova resolução é que as cesáreas a pedido serão agendadas apenas mediante a apresentação de um termo de consentimento assinado pela paciente.

Nesse sentido, é inegável que o parto normal oferece menores riscos à saúde da mãe e do bebê e que a cesárea deveria ser utilizada apenas como alternativa quando o bem-estar de ambos entra em xeque. A via natural, quando não há contraindicação, é sempre o melhor caminho.

 

Bruno Wunder de Alencar

Obstetra e Coordenador Médico da Linha Obstétrica da Casa de Saúde São José

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A gravidez e suas transformações

A grande notícia chegou! A gravidez se confirmou e a partir desse momento, a vida da mulher não será mais a mesma. Modificações anatômicas, fisiológicas, psicológicas, social e familiar acontecem em um período curto de tempo e, por isso, são aspectos importantes a serem salientados durante a gestação.

O corpo da mulher, nesse período, passa por diversas alterações hormonais que implicam em oscilações emocionais, as quais podem ter um impacto relevante em como ela vivenciará o processo gestacional e puerperal.

Fantasias sobre a saúde do bebê, sobre como as mudanças decorrentes da gestação afetarão sua imagem, como se sairá nesse novo papel, de que maneira integrará o bebê em sua rotina de trabalho, como a chegada do bebê afetará a relação do casal e tantas outras se tornam frequentes nesse período.

Por serem especulações bastante peculiares da mãe, e muitas vezes irracionais, quando são banalizadas e não compartilhadas, têm o potencial de gerar insegurança e fragilidade para a gestante.
Dessa maneira, a rede familiar e de amigos ganha importância enquanto relações capazes de acolher suas dúvidas e receios, fazendo com que se sinta segura e amparada, para que dificuldades emocionais posteriores, inclusive na relação mãe-bebê, possam ser evitadas.

 

Sheila Tavares C. de Paula

Gestalt-terapeuta, Especialista em Psico-oncologia e Cuidados Paliativos
Coordenadora do Serviço de Psicologia da Casa de Saúde São José

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Consulta pré-natal ao pediatra

Embora pouco habitual em nosso meio, é muito importante que a futura mamãe possa ter uma consulta pré-natal com seu pediatra de escolha, que vai assistir o bebê durante o nascimento e nas consultas seguintes. É uma oportunidade ímpar para que possam se conhecer (se for a primeira gestação), para que ele tome ciência de como sua gestação vem evoluindo e dos resultados dos exames que a gestante já realizou.

É o momento para que possam conversar e tirar dúvidas quanto a diversos assuntos, como a importância da amamentação ao seio, cuidados de higiene a serem tomados com seu bebê, troca de fraldas e banho, hábitos comuns aos recém-nascidos, mitos e crenças, vacinas e muitos outros temas que possam suscitar sua curiosidade. É recomendado que você agende a sua consulta com o pediatra no 7º ou 8º mês de gestação, ou a partir da 32ª semana de gestação. Aproveite esse momento e tire todas as suas dúvidas.

 

Dr. Luis Eduardo Miranda 
Pediatra, neonatologista.
Supervisor médico da UTI neonatal e do berçário da Casa de Saúde São José.
Membro efetivo da Academia Brasileira de Pediatria
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.