DICAS DE PROFISSIONAIS

O bebê nasceu e eu não tenho leite!

Um dos sobrenomes de toda mãe é ansiedade! É normal que as mamães que desejam amamentar, nos primeiros dias de vida do bebê, sintam-se inseguras no que diz respeito a produção do seu leite.

Na verdade, nos primeiros 3 ou 4 dias após o parto, o que sai da mama das mamães é o chamado colostro, que é rico em nutrientes e fatores imunológicos e é tudo o que o bebê precisa até que ocorra a descida do leite pois, como a natureza é sábia, todo bebê tem reservas de energia para gastar nesses primeiros dias, um bebê saudável, perde um torno de 5 a 10% do seu peso de nascimento.

Depois destes dias iniciais, ocorre a apojadura (descida do leite), neste momento a mama ficará maior e quente, grande parte desse leite é produzida durante a mamada, enquanto o bebê está sugando, a porção de leite fica armazenada nos alvéolos e ductos lactíferos e toda mulher adulta possui quantidades parecidas de alvéolos, ou seja, todas são capazes de produzir leite, o que pode variar é a capacidade de armazenamento deste leite, mamas menores conseguem armazenar menos leite que as mamas maiores.

Nos primeiros dias após a apojadura, o organismo ainda está se “acostumando” com o ritmo e a quantidade de leite que deve produzir, assim como o bebê ainda estará se adaptando à vida fora da barriga, portanto, o ritmo de produção, assim como a frequência de mamadas solicitadas pelo bebê pode varia muito.

De forma geral, o bebê acaba solicitando mais vezes a mama da mãe, o que não significa que este leite esteja “fraco”, não existe leite fraco, o leite materno é capaz de produzir todos os nutrientes suficientes para nutrição do seu bebê. Inclusive modifica sua “formulação” conforme a necessidade do seu bebê, por exemplo, leite de mães com bebê prematuro produz uma quantidade maior de proteína do que o leite de mamães de bebês que nasceram no período normal.

Existem alguns fatores que contribuem para a produção de leite:

• Água – beber bastante água é essencial, digamos que é uma das matérias primas para produção do leite;
• Sucção – a sucção do bebê estimula a produção de leite, portanto quanto mais o RN sugar, maior será a produção de leite;
• Satisfação e prazer – os hormônios responsáveis pela produção de leite também são moderados por fatores de ordem emocional, portanto, amamentar deve ser prazeroso e em ambiente tranquilo.

Mamães bem informadas e seguras sobre o processo de amamentação, amamentam melhor!

 

Anna Carolina Quintella Paes Leme

Enfermeira Neonatologista

Coordenadora do GIAM (Grupo de Incentivo ao Aleitamento Materno)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alimentação Saudável

Uma alimentação saudável é importante em todos os segmentos da vida, porém durante a gestação e lactação se faz necessária uma maior atenção na escolha dos alimentos, favorecendo uma dieta equilibrada que atenda aos requerimentos nutricionais que estão aumentados, especialmente de proteínas, vitaminas, cálcio e ferro. Dessa forma, evita-se o ganho de peso excessivo, previne-se uma série de intercorrências gestacionais e atende-se a todas as necessidades nutricionais, garantindo um bom desenvolvimento e crescimento do bebê, e também a manutenção da saúde da mãe.

A gestação e o puerpério são fases frequentemente acompanhadas pelo aumento do apetite, porém isso não significa que a mulher deverá “COMER POR DOIS”. O recomendado é alimentar-se em horários regulares (3/3 h), realizando cinco a seis refeições por dia (desjejum, colação, almoço, jantar e ceia), priorizando um alimento de cada grupo em quantidades necessárias para satisfazer o apetite, sem exageros. Alguns alimentos devem ser evitados ou retirados da alimentação da gestante, em função do risco de sangramento, parto prematuro, como canela, linhaça, chás de maneira geral e alimentos ricos em cafeína (café, mate).

Não existe alimento completo que sozinho contenha tudo aquilo que o organismo necessita para funcionar adequadamente. Portanto, é necessário variar a alimentação e combinar os alimentos para que suas interações se completem.

 

Raquel Claro

Nutricionista Clínica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pelo fim da cultura das cesáreas

As cesáreas estão em discussão mais uma vez. Depois da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que criou o projeto Parto Adequado para incentivar o parto normal, o Conselho Federal de Medicina (CFM) acaba de apresentar uma nova resolução, que determina que o parto cesáreo só deverá ser realizado a partir de 39 semanas de gestação. Com a medida, ganhamos todos: maternidades, profissionais, mães e especialmente os recém-nascidos.

Para o CFM, trata-se de uma norma de caráter ético que busca assegurar a integridade do feto. A nova regra segue padrões internacionais, determinados pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG).

Estudos científicos recentes mostram que as crianças que nascem antes da gravidez completar 39 semanas apresentam maior número de intercorrências nas primeiras horas de vida, principalmente desconforto respiratório e hipotermia. Outros sintomas como, icterícia e dificuldade de deglutição, também são comuns e resultam na admissão do recém-nascido em uma Unidade Intensiva, privando mãe e filho do contato mútuo.

Neste contexto, obstetras, pediatras e neonatologistas têm trazido à tona a discussão sobre um problema grave e frequente em todo o mundo: a internação evitável do recém-nascido em Unidades de Terapia Intensiva. Esta situação implica em reflexos negativos que vão desde o risco de infecções hospitalares para os bebês até o aumento na incidência de depressão nos casais, além da elevação absurda no custo da internação para as operadoras de saúde.

Infelizmente, em nosso País, a banalização e a praticidade contribuíram para a chamada “cultura da cesárea”. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada em 2014, mostra que 50% dos partos do país são cesáreas, o que torna o Brasil recordista nessa prática. Trata-se, portanto, de uma epidemia de cesáreas.

Este enorme volume, principalmente na rede privada, fica ainda mais evidente nas vésperas dos feriados, quando as maternidades veem multiplicar o número de internações de gestantes fora do trabalho de parto.

É indiscutível que a futura mãe deve ter o direito de decidir pela via de parto que mais lhe agrade, mas esta opção deve estar bem embasada em informações médicas e não pode extrapolar os limites de segurança para a sua própria saúde e de seu filho. Para tal, o obstetra deve conversar com o casal durante o pré-natal, apontando os riscos e benefícios de ambas as formas de parto. Outro avanço da nova resolução é que as cesáreas a pedido serão agendadas apenas mediante a apresentação de um termo de consentimento assinado pela paciente.

Nesse sentido, é inegável que o parto normal oferece menores riscos à saúde da mãe e do bebê e que a cesárea deveria ser utilizada apenas como alternativa quando o bem-estar de ambos entra em xeque. A via natural, quando não há contraindicação, é sempre o melhor caminho.

 

Bruno Wunder de Alencar

Obstetra e Coordenador Médico da Linha Obstétrica da Casa de Saúde São José

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A gravidez e suas transformações

A grande notícia chegou! A gravidez se confirmou e a partir desse momento, a vida da mulher não será mais a mesma. Modificações anatômicas, fisiológicas, psicológicas, social e familiar acontecem em um período curto de tempo e, por isso, são aspectos importantes a serem salientados durante a gestação.

O corpo da mulher, nesse período, passa por diversas alterações hormonais que implicam em oscilações emocionais, as quais podem ter um impacto relevante em como ela vivenciará o processo gestacional e puerperal.

Fantasias sobre a saúde do bebê, sobre como as mudanças decorrentes da gestação afetarão sua imagem, como se sairá nesse novo papel, de que maneira integrará o bebê em sua rotina de trabalho, como a chegada do bebê afetará a relação do casal e tantas outras se tornam frequentes nesse período.

Por serem especulações bastante peculiares da mãe, e muitas vezes irracionais, quando são banalizadas e não compartilhadas, têm o potencial de gerar insegurança e fragilidade para a gestante.
Dessa maneira, a rede familiar e de amigos ganha importância enquanto relações capazes de acolher suas dúvidas e receios, fazendo com que se sinta segura e amparada, para que dificuldades emocionais posteriores, inclusive na relação mãe-bebê, possam ser evitadas.

 

Sheila Tavares C. de Paula

Gestalt-terapeuta, Especialista em Psico-oncologia e Cuidados Paliativos
Coordenadora do Serviço de Psicologia da Casa de Saúde São José

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Consulta pré-natal ao pediatra

Embora pouco habitual em nosso meio, é muito importante que a futura mamãe possa ter uma consulta pré-natal com seu pediatra de escolha, que vai assistir o bebê durante o nascimento e nas consultas seguintes. É uma oportunidade ímpar para que possam se conhecer (se for a primeira gestação), para que ele tome ciência de como sua gestação vem evoluindo e dos resultados dos exames que a gestante já realizou.

É o momento para que possam conversar e tirar dúvidas quanto a diversos assuntos, como a importância da amamentação ao seio, cuidados de higiene a serem tomados com seu bebê, troca de fraldas e banho, hábitos comuns aos recém-nascidos, mitos e crenças, vacinas e muitos outros temas que possam suscitar sua curiosidade. É recomendado que você agende a sua consulta com o pediatra no 7º ou 8º mês de gestação, ou a partir da 32ª semana de gestação. Aproveite esse momento e tire todas as suas dúvidas.

 

Dr. Luis Eduardo Miranda 
Pediatra, neonatologista.
Supervisor médico da UTI neonatal e do berçário da Casa de Saúde São José.
Membro efetivo da Academia Brasileira de Pediatria
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.